Neuronutrição e o genótipo da APOE

Um estudo de revisão publicado em 2015 por Masconi e McHugh, pesquisadoras do Departamento de Psiquiatria da Escola de Medicina da Universidade de Nova Iorque, menciona a relação da nutrição como fator modificável mais importante quando se trata do risco para o desenvolvimento da Doença de Alzheimer (DA).

A DA é uma doença neurodegenerativa caracterizada pela progressiva deterioração e morte de neurônios, que leva ao déficit de memória, da razão e da linguagem até a progressão mais crítica, quando impede as atividades diárias da pessoa. Estima-se que nos EUA 5,2 milhões de pessoas de todas as idades tenham a DA e que se a progressão continuar no mesmo ritmo, em 2050, chegarão a 13,8 milhões de americanos com DA.

O gene mais estudado para a DA tardia é o da apolipoproteína E (APOE), cujas isoformas são E2/E4, E3/E4 ou E4/E4.

A APOE participa do metabolismo de lipídios e está presente nas lipoproteínas de muito baixa densidade (VLDL) e de baixa densidade (LDL). Ela é sintetizada no fígado, mas o cérebro é considerado o segundo sítio onde ocorre a maior síntese de APOE devido à presença dos astrócitos.

A presença de um alelo E4 em APOE faz com que ela diminua a afinidade pelos LDLR, levando à lipotoxicidade do ambiente intracelular. O consumo de uma dieta rica em lipídios saturados e trans prejudicam a comunicação de LDL-LDLR, favorecendo ainda mais a toxicidade, que é sistêmica.

Pacientes com APOE2 podem apresentar baixas concentrações de colesterol; já pacientes APOE3, apresentam concentrações normais de colesterol; enquanto os APOE4, alto risco de aumento das concentrações de colesterol.

O padrão de dieta parece influenciar na função cerebral. A figura a seguir extraída do artigo mostra que o consumo de uma Dieta Padrão Mediterrânea é mais favorável para a boa saúde mental em relação ao Padrão Ocidental (barras azuis x barras vermelhas) e diferentes áreas podem ser afetadas.

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Uma dieta rica em micronutrientes com vitamina E (alfa-tocoferol), vitamina D, vitamina B12 e ômega 3 (EPA e DHA) pode fortalecer e aumentar o saldo de saúde mental

Então, conhecer sua variante genética pode te dar aquele incentivo a mudar o seu conceito de estilo de vida e te influenciar a escolhas mais saudáveis, mais assertivas, mais personalizadas. Nós temos um teste desenhado para avaliar seu risco. 

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Referência: Mosconi L, McHugh PF. Let Food Be Thy Medicine: Diet, Nutrition, 
and Biomarkers' Risk of Alzheimer's Disease. Curr Nutr Rep. 2015 Jun 1;4(2):126-135.