Dieta ocidental e seu impacto na alteração da microbiota intestinal

A dieta ocidental é caracterizada por um alto consumo de lipídios saturados, ômega-6, sal e açúcar refinado, o que favorece o risco para as doenças crônicas não transmissíveis, como doenças cardiovasculares e obesidade.

No processo inflamatório crônico e de baixo grau como ocorre na obesidade, a elaboração da resposta imune e, consequentemente, o recrutamento das células do sistema imune são requisitos para favorecer de forma patológica a elaboração da resposta inflamatória.

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Alguns componentes da dieta parecem favorecer esse processo, entre eles, destaca-se o papel do excesso do consumo de carnes vermelhas, lipídios saturados, alimentos pobres em fibras que além de contribuir para aumento da inflamação, podem influenciar a microbiota intestinal, acelerando o processo de disbiose, ou seja, no desequilíbrio entre colônias de bactérias patogênicas e bactérias benéficas ao nosso organismo.

Os adipócitos liberam citocinas pró-inflamatórias, entre elas, interleucina (IL-) 1, IL-6 e fator de necrose tumoral alfa (TNF- alfa), sendo que  a expressão gênica aumenta conforme ocorre hipertrofia dessas células.

Estudos sugerem que açúcares simples reduzem os níveis de fagocitose das células brancas e aumentam o quadro inflamatório, enquanto carboidratos complexos que são capazes de reduzir a inflamação. O sal por sua vez aumenta a inflamação pelo aumento de IL-17 podendo estar relacionado com de doenças auto-imunes. A gordura saturada induz a liberação prostaglandina, principalmente de série par como a PGE2, oriundas da biossíntese do ômega. O excesso do consumo de ômega-6 também está associado à resposta imune através dos efeitos sobre o receptor do tipo toll like, os TLR-4, que ao ser ativado induz a sinalização das proteínas da via das MAP quinases e, por fim, pode ativar o fator de transcrição NF-kB, relacionado com a expressão de mais de 200 genes.

Conhecendo o perfil genético por meio da realização do teste de Nutrigenética, poderemos incentivar os pacientes a obter hábitos alimentares mais saudáveis, uma vez que o teste genético, ou seja, o DNA poderá mostrar as predisposições e riscos para a evolução das doenças crônicas.

 

Referência

Myles IA. Fast food fever: reviewing the impacts of the Western diet on immunity. Nutr J. 2014 Jun 17;13:61. doi: 10.1186/1475-2891-13-61.