A ingestão “personalizada” de cafeína pode ser estratégia para maximizar o rendimento esportivo

O periódico Escandinavian Journal of Medicine & Science in Sports publicou em 2015, um artigo sobre a ingestão de cafeína e a performance de ciclistas amadores, avaliando diferentes formas de ingestão desse recurso ergogênico, associadas ao genótipo de cada participante, bem como o período do dia. Para o presente estudo, participaram 38 indivíduos que praticavam ciclismo de forma recreativa (pelo menos uma vez por semana), sendo selecionados randomicamente 25 homens e 13 mulheres da Universidade James Madison (Virgínia, EUA).

Para a suplementação, os voluntários receberam duas soluções de 25mL, sendo: (a) 300mg de cafeína, 1g de sacarina e 25mL de água ou (b) placebo de sabor semelhante contendo 6g de sacarina e 25mL de água. Além das soluções, uma cápsula de 6mg/kg de peso de cafeína anidra ou placebo (1h antes do treino) também foi utilizada para o estudo. Dessa forma, os participantes foram subdividos em quatro grupos: (1) cápsula placebo + bochecho placebo; (2) cápsula d placebo + bochecho de cafeína; (3) cápsula de cafeína + bochecho de cafeína; (4) cápsula de cafeína + bochecho placebo.

Foi realizada a coleta de amostras de sangue para que a realização da genotipagem do polimorfismo da CYP1A2 (rs762551), agrupando os participantes em dois grupos, os homozigotos AA que apresentam o metabolismo mais rápido para cafeína e os heterozigotos AC que apresentam o metabolismo mais lento para cafeína.

Como resultado do estudo, a utilização do bochecho não apresentou melhora no percentual de alteração na performance, enquanto o grupo que ingeriu a cafeína e o grupo de ingestão + bochecho apresentaram a mesma melhora na atividade, conforme mostra a figura 1.

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Figura 1. Efeito do bochecho, da ingestão e do bochecho de cafeína no tempo de potência de 3 Km. 

Quando comparados os grupos homozigotos (AA) e os heterozigotos (AC), houve melhora da performance semelhante entre o grupo que realizou a ingestão e o bochecho de cafeína, enquanto o grupo que realizou somente a ingestão apresentou um aumento significativo da performance em indivíduos heterozigotos. 

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Figura 2. Efeito do genótipo no bochecho, ingestão e ingestão + bochecho de cafeína no tempo de potência de 3 Km. 

Os efeitos da ingestão de cafeína parecem ser influenciados pelo período do dia em que é utilizada e para testar essa hipótese, os pesquisadores selecionaram 25 indivíduos (8 AA e 7 AC) para um treino antes das 10h da manhã e 23 indivíduos (13 AA e 10 AC) pra um treino após às 10h da manhã. Estudos anteriores à esse mostraram que a atividade da CYP1A2 parece ser mais elevada no período da manhã quando comparada com o período vespertino.

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Figura 3. Efeito do período do dia do bochecho, ingestão e ingestão + bochecho de cafeína no tempo de potência de 3 Km.

A figura 3 retirada do artigo mostra que o rendimento esportivo dos indivíduos foi melhor no período matutino em relação ao vespertino. Para explicar melhor essas diferenças, os autores sugerem um acompanhamento por mais tempo, com distâncias maiores de treino.

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Referência: Pataky MW, Womack CJ, Saunders MJ, Goffe JL, D'Lugos AC, El-Sohemy A, Luden ND. 
Caffeine and 3-km cycling performance: Effects of mouth rinsing, genotype, and time of day. Scand J Med 
Sci Sports. 2016 Jun;26(6):613-9.