Patogênese imunogenética da doença celíaca e da sensibilidade ao glúten não-celíaca

A doença celíaca (DC) é uma doença autoimune, caracterizada pela resposta imunológica de ordem sistêmica e processo inflamatório crônico elaborada diante da exposição ao glúten e demais prolaminas associadas à essa proteína, tais como a gliadina (trigo), a hordeína (cevada), a secalina (centeio) e a avenina (aveia) em indivíduos geneticamente predipostos.

DC representa a intolerância alimentar mais comum no mundo ocidental com prevalência de aproximadamente 1% da população. O consumo do glúten por indivíduos que apresentam DC costuma causar diarréias, distensão abdominal e vômitos, quadro que colabora para prejudicar a biodisponibilidade de nutrientes e, consequentemente, levar à subnutrição.

Em geral, os sintomas clássicos de DC são manifestados desde a infância, mas ser não identificados, quando adultos, os indivíduos podem apresentar osteoporose, dermatite, ataxia por glúten, além de outras síndromes nerupatológicas.

A DC é uma consequência das respostas imunes inatas e adaptativas, que juntos promovem um ambiente próinflamatório, infiltração intraepitelial e o aparecimento de atrofia das vilosidades e hiperplasia das criptas intestinais, o que diminui a superfície de absorção de nutrientes. A figura 1 representa dois cortes histológicos da mucosa do duodeno de um indivíduo não celíaco (a) e outro portador de DC (b).

Figura 1. Corte histológico da mucosa duodenal de um indivíduo não celíaco (a) e outro com DC (b)

O gene HLA-DQ são de extrema importância para o diagnóstico da DC, uma vez que quase que todos os pacientes com DC apresentam codificações variantes para as moléculas DQ2 ou DQ8. As proteínas que codificam estas moléculas são expressas por células portadoras de antígeno (CPA). A maioria dos pacientes apresenta a variante HLA-DQ2.5, e alguns apresentam as variantes HLA-DQ8, a menos frequente é a HLA-DQ2.2. Essas variações genéticas são responsáveis por cerca de 40% da predisposição de DC.

Figura 2. Resposta imunológica aos peptídeos do glúten.

As células dendríticas (DC) expressam em suas superfícies moléculas de HLA-DQ, estas que se ligam aos peptídeos do glúten por apresentarem células T CD4+, assim essas células se tornam reativas e começam a produzir citocinas via Th1, tais como TNF-α, INF-?, IL-18 e IL-21), colaborando com os linfócito B na elaboração de uma resposta imune contra as células do tecido de transglutaminase (TG2B  e contra as gliadinas. Por outro lado, as células epiteliais intestinais (IEC) produzem IL-15 após a exposição com outros peptídeos de gliadina. Juntos, citocinas inflamatórias induzem as IECs a expressar moléculas de estresse, chamadas de MICA, bem como seu receptor (NKG2D) em linfócitos intraepiteliais ativados (IELs), responsáveis pela indução das IECs em aumentar a apoptose e a permeabilidade intestinal, favorecendo o processo pró-inflamatório.

            Além das indicações de restrição ao consumo de glúten em caso de necessidade, nos últimos anos, estudos mostraram que uma outra alternativa seria o bloqueio da via da interleucina 15 (IL-15), além da suplementação de proteases orais que melhoram a proteólise do glúten no trato gastrointestinal e misturas de enzimas, outra forma de aliviar os sintomas e aumentar a tolerância à essa proteína tem sido o tratamento com probioticos Bifidobacterium infantis natren.

            O teste Nutrigenética® do Centro de Genomas® avalia o perfil de intolerância ao glúten, que avalia 5 polimorfismos associados ao HLA-DQ2.5, HLA-DQ 2.2, HLA-DQ 7 e HLA-DQ 8 e com esses resultados à prescrição de dieta pode se tornar personalizada.

Referência:

Escudero-Hernández C, Peña AS, Bernardo D. Immunogenetic Pathogenesis of Celiac Disease and Non-celiac Gluten Sensitivity. Curr astroenterol Rep. 2016 Jul;18(7):36.